terça-feira, 16 de junho de 2009

Geopolítica atual do Oriente Médio


Observe no mapa:
1)Países vermelhos

Aqueles que tem governos contrários aos interesses dos E.U.A na região

2)Países marrons

Em geral simpáticos aos E.U.A,mais que adotam posições mais independentes

3)Países azuis

Aliados dos E.U.A e em geral tutelados por ele militarmente


Para quem deseja uma informação mais isenta sobre as eleições iranianas sugiro um dos portais abaixo:

BECTN-VGTRK Russa
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=ru&u=http://vgtrk.com/&ei=KEw3SpKjFNWLjAfzoO32DQ&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DVGTRK%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26client%3Dfirefox-a%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26hs%3Dtx8
ITAR-TASS RÚSSIA
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.itar-tass.com/eng/&ei=JSA3SrzqKIysjAf3waGhDQ&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DITAR-TASS%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26client%3Dfirefox-a%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26hs%3DYhQ

Yahoo notícias
http://br.noticias.yahoo.com/mundo


IRIB-Estatal Iraniana
http://www.irib.ir/
(há um quadro aonde vc pode traduzir em várias línguas)


Blog Literatura clandestina
http://inteligenciabrasileira.blogspot.com/

Barabawy(em inglês)
http://arabist.net/arabawy/

Pelo oque eles protestam


A imagem do povo iraniano saindo as ruas em apoio a Mosauvi contestando a reeleição do Presidente Ahmadinejad tem verdades sutis e problemas complexos um pouco turvos diante da mera questão eleitoral,antes porém me cabe esclarecer mais alguns pontos que Mosauvi vem usando para desqualificar o pleito:
1)Uma pesquisa chegou a mostrar Mosauvi na frente...
-Em geral todas as pesquisas,inclusive de redes estrangeiras e independentes sempre apontaram larga vantagem de Ahmadinejad.Em geral,Ahmadinejad com cerca de 60% e Mousavi com cerca de 30%.No final,Mousavi chegou a crescer alcançando os 40%.A única pesquisa em que Mosauvi apareceu na frente foi feita por um instituto contratado pelo própio Mosauvi...e como vemos destoa escandalosamente de tudo.

2)A votação foi feita nacionalmente e não por províncias como era feito sempre...
-Os votos locais foram apenas se somando aos já computados em outros locais,mais a votação mostrou sim os resultados regionais se não como o própio Mosauvi alega que as urnas lhe deram poucos votos em Teerã e Tabriz?Ele soube por que os resultados regionais foram contados sim e só depois somados ao nacional.

3)A contagem durou apenas 4 horas,é impossível manualmente fazer esta contagem neste curto período de tempo nessa que foi uma das maiores eleições da história do país...
-Com certeza,foi uma das mais participativas eleições da história do Irã e surpreendeu o colégio eleitoral que não esperava tanto.Mais quem esteva mesmo com pressa de terminar a contagem?Mousavi se declarou "vencedor incontestável"pouco depois que começou a contagem,se foram apuradas 20% das urnas foi muito!E as parciais dando ampla vantagem a Ahmadinejad!Que candidato se declararia vencedor nestes termos,antes mesmo da maioria dos votos ser contados?
O colégio eleitoral teve que dar resposta a Mosauvi e correr contra o tempo já que tal já se auto-proclamara vitorioso antes da contagem!
Se houve "pressa incomum",ela veio de ambos os lados...
E não muda a vitória de Ahmadinejad prevista desde o início por todas as pesquisas em larga vantagem.

4)Houve a maior manifestação desde a Revolução islâmica em apoio a Mosauvi...
-Interessante como a mídia disse o mesmo sobre a tal "Revolução dos cedros"no Libano.No mesmo dia houveram dois protestos no Líbano-um pró-ocidente que foi chamado de "a maior manifestação do Líbano desde a guerra civil"....outro comandado pelo Hezzbolah reuniu o TRIPLO de manifestantes e sobre este nenhum "lema ufanista".Hoje mesmo mais cedo como disse antes "o grande protesto da oposição que tomou o Irã"reuniu 2.000 pessoas numa avenida em Teerã...enquanto ali perto 10.000 comemoravam a vitória de Ahmadinejad.
Agora a "maior manifestação desde a revolução Islâmica"não chegou a tomar um quarteirão e a mídia esquece de dizer que ela contou aqueles que saiam apoiandio Ahmadinejad também como "participantes do protesto"...
Foi com certeza a maior manifestação de apoio a Mosauvi,mais com certeza não foi tudo isso que foi noticiado por "algumas emissoras"...

5)Os opositores vem sendo presos e reprimidos...
-A ordem de prisão ao ex-presidente Khatami e seus partidários,entre eles Mosauvi vem de antes mesmo do pleito e o própio Mosauvi só não havia sido detido antes por que contava com "imunidade eleitoral",com o fim das eleições tal imunidade acaba...será por isso que ele quer "novas eleições"?...neste caso continuará imune por mais um tempo...
E foram presos por "corrupção"praticada antes mesmo dele vir concorrer a presidência.
Mosauvi está usando os manifestantes como "escudo"para subverter decisões judiciais.

Aqueles que saem as ruas de Teerã,em especial a classe média,mulheres e jovens tem motivos para não se sentirem representados pelo regime e por Ahmadinejad.O partido comunista Tudeh tem motivos para protestar contra sua exclusão da vida política iraniana.
Desta vez Mosauvi se tornou a figura emblemática,aquele que representa seus anseios.Para isso esquecem que os "reformistas" de Mosauvi arruinaram a economia iraniana nos anos 90,cortaram a assistência aos pobres,tentaram condicionar o país aos interesses norte-americanos,só falhando por que quem manda mesmo no país é o conselho dos Guardiões e esquecem dos inúmeros escândalos de corrupção que respondem,tais escândalos que hoje fazem Mosauvi ser "persona non grata"em sua terra natal,Tabriz.
E esquecem o principal:a vitória de Mosauvi é fraude!Ninguém acreditava numa virada de jogo,a "suposta vitória" foi surpresa até pra eles e logo desmentida pelos fatos.
Aqueles que estão nas ruas de Teerã não protestam por que acham que Mosauvi foi vitorioso e sim por que não acreditam no sistema iraniano,por querem diante da vitória de Ahmadinejad se fazerem ouvir.Querem exclamar"nós também somos o Irã!!!".E o querem por que o Irã vem os esquecendo sumariamente.
É um reclame e uma voz legítima mais deveriam ter um porta-voz melhor que o desacreditado Mousavi que só engana mesmo aqueles que depositaram nele seu voto.Essas eleições chegaram a aproximar os reformistas das classes populares com seu discurso de liberdade as mulheres e jovens.Mais as classes populares votaram é em Ahmadinejad por que sabem que o preço de eleger Mosauvi é a volta das políticas anti-sociais e criminalizadoras da pobreza e uma subordinação aos interesses dos E.U.A de intervir no Irã,além da volta da elite mais corrupta que já governou o Irã desde o Xá Pahlevi.
A miopia dos que hoje protestam a favor de Mosauvi é justamente em te-lo como representante de suas causas e por isso mesmo desacredita-las.
A maioria jamais quis saber de política,agora saem as ruas como "pessoas politizadas".Acham mais importante o direito de terem um tênis Nike,mesmo a custa do fim das políticas que dão aos pobres um prato de comida.São os encantados com a "modernidade",não importa o quão injusta e corrupta venha a ser.Adorariam transformar todo o Irã numa "grande Dubai".Os pobres?Ah,os pobres nem deveriam ter direito de votar...veja oque fazem,elegem pessoas como Ahmadinejad.A escolha deles é certa,pois são "a vanguarda"e os demais são "cegos,reacionários e fanáticos".Não importa se "esses cegos" são cerca de 60% das pessoas e eles só 30%...a necessidade deles é maior,por que "eles sabem oque é melhor para todos,afinal é por isso que vão aos E.U.A e Europa se diplomar".É ao lado desse tipo de gente que está o partido comunista Tudeh?É ao lado dessa gente que estão os grupos sérios de direitos das mulheres e jovens?
Depois não sabem por que a maioria da sociedade iraniana lhes vira as costas.
Terminar tendo a figura de Mosauvi como "símbolo",os marcará por muito tempo na sociedade iraniana e os afastará ainda mais daqueles que anseiam representar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Caminhos soberanos do Irã


Fonte:http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57894
O CONTEÚDO ANTIIMPERIALISTA DA REELEIÇÃO NO IRÃ
O Holocausto perpetrado pelo nazismo assassinou milhões de judeus e é um fato histórico incontestável. E os gays têm o mesmo direito de todos os seres humanos de fazerem amor como melhor entenderem. Dito isto, a acorrência maciça dos 46 milhões de eleitores iranianos às urnas nesta sexta-feira (12), e a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad com dois terços dos votos, a julgar pelas parciais, é uma vitória não do conservadorismo, mas de um profundo, entranhado e justo sentimento antiimperialista do povo trabalhador do Irã.
Por Bernardo Joffily

A oposição descrita pela mídia ocidental, entre ''conservadores'' e ''reformistas'' existe no Irã. Assim como existem os contrastes entre a fé islâmica mantida intacta no vasto interior do país e as tendências seculares da metrópole que é Teerã (14 milhões de habitantes em um total de 70 milhões). Estas variáveis levaram o grosso da esquerda iraniana a apoiar ''qualquer um menos Ahmadinejad''. O ''qualquer um'', no caso, resultou ser Mir Hussein Moussavi.

Porém o Irã profundo compareceu em massa às urnas nesta sexta-feira. O comparecimento foi sem precedentes, perto de 80%. E isto ao fim de uma campanha também inédita por sua animação, com os candidatos debatendo ao vivo na TV e as campanhas saindo às ruas com energia antes desconhecida.

Deu uma conservadora reeleição a Ahmadinejad: 66,0% dos votos, a julgar pela última parcial, com 68% das urnas apuradas (Bem distinta do resultado de quatro anos atrás, em que o atual presidente chegou em segundo lugar nas urnas, com apenas 19% dos votos, e só venceu no segundo turno). É curioso que o resultado desminta tudo que nos escreveram e nos disseram todos aqueles corresponentes e enviados especiais da mídia ocidental.

Menos adjetivos, mais substantivos

Governou beneficiado pelo boom dos preços do petróleo. Usou o dinheiro do óleo para subsidiar alimentos e programas de construção de moradias. Num país desértico e semiárido, pobre em rios, fomentou um programa energético nuclear, o que levou-o à colisão com os Estados Unidos e Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) sob pressão destes. É um crítico implacável de Israel, a quem acusou de racista, com abundância de argumentos, numa recente conferência da ONU que Washington boicotou.

Greve:História das sujeiras dos E.U.A no Irã

É nessa trajetória que se deve buscar os votos de Ahmadinejad. É a trajetória de um lutador antiimperialista, em uma nação ciosa de sua civilização multimilenar e ardentemente patriótica. Patriotismo que foi posto à prova mais de uma vez em sua história recente.

Em 1953 o primeiro ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano, foi derrubado em um golpe onde todos viram a mão do imperialismo americano. Na semana passada, em seu discurso no Cairo, o presidente Barack Obama admitiu a intervenção, em um mea culpa inédito.
Seguiu-se a fase mais abertamente tirânica da dinastia Pahlevi, sempre com apoio de Washington. Em 1979 triunfou a revolução, explicitamente antiimperialista e contra a vontade da Casa Branca. Seguiu-se a crise do cerco à embaixada, em 1980-81, que os EUA tentaram tratar por meio de uma incursão militar, desbaratada por uma providencial tempestade de areia. A essa altura, o Iraque já iniciara a guerra em busca de territórios do Irã, com armas fornecidas pelos EUA.

O Teste do discurso de Obama

Foi este o país que votou na sexta-feira. Preferiu reeleger seu presidente, e não seu desafiante, Moussavi, que acusava a política externa em vigor de excessivamente antiamericana. Preferiu-o porque não aceita voltar aos tempos dos Pahlevi. Preferiu-o por antiimperialismo.

Pode-se acusar o antiimperialismo de Ahmadinejad de tosco. Sempre que a religião se intromete na política, a política se abastarda. Mas como qualificar o imperialismo do fundamentalista religioso George W. Bush, que dizia ''conversar com Deus'' e, por ordem deste, inscreveu o Irã no ''Eixo do Mal'' e cercou-o com guerras de agressão, a leste, no Afeganistão, e a oeste, no Iraque?

Obama deu a entender no Cairo que esse tempo passou. Diz que não ficará ''preso ao passado'' e quer ''seguir em frente'' e ''construir o futuro'' nas relações com o Irã, ''sem condições prévias e com base no respeito mútuo''.

Pois bem, o futuro, até 2013, é com o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad. É o primeiro teste do discurso do Cairo. Os próximos passos dirão até que ponto o que foi dito no Cairo é para valer e até que ponto são apenas palavras. Conceda-se às palavras de Obama o benefício da dúvida. Mas, diante do histórico sintetizado acima, é compreensível que o Irã não comece por baixar a guarda. Manter a guarda erguida foi o que ele fez nas urnas desta sexta-feira.

A Carta de Mousavi


Eis a carta de Mir Houssein Mousavi,opositor de Ahmadinejad e que acusa não só fraudes na eleição,quanto sua "vitória incontestável":

"Carta de Mousavi,
Candidato a Presidente da República Islâmica do Irã

Em nome de Deus

Honrado povo do Irã

Os resultados anunciados da décima eleição presidencial iraniana são assustadores.Aqueles que foram testemunhas da mistura de votos em longas filas sabem para quem votaram e observam o faz-de-conta encenado pela IRIB(Tv e Rádio estatais)e pelos responsáveis pela eleição.Agora,mais do que nunca,pelo passado,eles querem saber como e por quais autoridades esta farsa foi concebida.

Eu recuso totalmente os procedimentos em curso e as abundantes violações da lei no dia das eleições,e me junto ao povo que não se dobra diante desse perigoso complô.A desonestidade e a corrupção dos responsáveis,como vimos,só conduzirá ao enfraquecimento dos pilares da República Islâmica do Irã e reforça a mentira e os atos ditatoriais.

Eu tenho o dever,em razão de minhas obrigações religiosas e nacionais,de revelar esse perigoso complô e de explicar seus efeitos devastadores para o futuro do Irã.Eu temo que a persistir a situação presente venha a transformar todos os membros-chave desse regime em fantasistas,em oposição a nação,e os coloque gravemente em perigo,neste mundo e no outro.

Eu aconselho a todos os dirigentes a colocar um ponto final neste empreendimento imediatamente,antes que seja tarde demais,a retornar a legalidade e a proteger o voto da nação.Que saibam que uma violação da lei os torna ilegítimos.Eles estão consientes,mais que ninguém,que este país atravessou uma grande revolução islâmica e que uma das mensagens desta revolução é que nossa nação está alerta e se oporá a qualquer projeto de tomada do poder contra a lei.

Aproveito esta ocasião para homenagear as forças vivas da nação do Irã e para lembrar-lhes que o Irã,este ente sagrado,pertence a elas e não aos fraudadores.Cabe a vocês permanecerem alertas.Os traidores do voto da nação nõ tem medo de ver o lar dos persas se consumir em chamas.Nós continuaremos a propagar nossa onda verde de racionalidade,inspirada por nossos ensinamentos religiosos e nosso amor pelo profeta Maomé,e nós enfrentaremos a maré de mentiras que surgiu e ofuscou a imagem de nossa nação.Aconteça oque acontecer,nós não permitiremos que nosso movimento se torne cego.

Agradeço a cada cidadão que ajudou a espalhar a mensagem verde fazendo nossa campanha,assim como todas as equipes oficiais da campanha e aquelas que se auto-organizaram.Eu insisto claramente sobre o fato de que a presença de todos vocês é essencial até que nós atinjamos os resultados que merecem nosso país.

[verso do Corão:"Por que não ter confiança em Deus,que nos mostrou nosso caminho?Somos pacientes face àquele que nos contraria.Nossa salvação está em Deus."]

Mir Houssein Mousavi"

Antes um "direitista" como Ahmadinejad que um "esquerdista"como Mousavi


Chega a ser ridícula a postura da mídia e líderes ocidentais questionando a reeleição do Presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad.Não pretendo me estender muito agora sobre o assunto por que tenho outros compromissos,mais prometo voltar a aborda-lo mais profundamente depois.Os "líderes ocidentais"no qual estão incluídos o vice-presidente americano Biden,o chanceler francês Bernard Kouchner e o o ministro das Relações Exteriores alemã Frank-Walter Steinmeier se baseiam em premissas falsas do candidato derrotado Mirhossein Mousavi.Vamos a algumas dessas premissas:
1)As eleições no Irã não são sérias e legítimas.
-Interessante ao ver que Mousavi o tempo todo fez parte deste sistema e sempre que se elegeu foi por ele.Por que quando através deste mesmo sistema que diz ser fraudulento obteve vitórias ele não as questionou?Ou seja,quando ele vence o sistema presta,agora quando perde é uma fraude...
2)Há um grande protesto no Irã contra o resultado
-Oque há é um grande golpe de Mousavi apoiado pela C.I.A.Mousavi não está questionando o resultado,ele responde a inúmeros processos de corrupção no Irã e só não fora preso antes por que tinha "imunidade parlamentar"e claro,"mui amigos".Está é atacando o sistema judicial do país que está na sua cola e não é controlado por Ahmadinejad,se alguém pode influir é o conselho de Guardiões,o mesmo que quando o declarava vitorioso em eleições passadas era legítimo e agora é uma fraude.A suposta "grande revolta que assola a capital Teerã"reuniu cerca de 2.000 pessoas.Enquanto isso mais de 10.000 festejavam a vitória de Ahmadinejad em Teerã.
3)O resultado é fraudulento pois Ahmadinejad venceu em Teerã,reduto de Mousavi.
-Isso só prova do quanto Mousavi foi uma farsa e uma fraude que enganou apenas os midiotas ocidentais.Desde o início as pesquisas sempre apontaram Mousavi com cerca de 30% dos votos e Ahmadinejad com cerca de 60%.Como então Mousavi pode se declarar vitorioso numa votação que desde as pesquisas e depois nas apurações sempre deu larga vantagem a Ahmadinejad?!
4)Os manifestantes foram "violentamente reprimidos".
-Como uma minoria pode se achar no direito de impor seu candidato ao resto do país?Eram golpistas e quiseram dar um golpe.Trouxa é quem tava no meio acreditando que era um movimento reivindicatório...
5)Os comunistas iranianos apóiam Mousavi,oque o torna um candidato de esquerda
-Os comunistas iranianos acham que estão na Rússia Tzarista e Mousavi seria o novo Kerenski.Um grande erro,a vitória de Mousavi não poria fim ao regime teocrático e qualquer mudança mais laica que fizesse teria um alto preço-a contrapartida em medidas neoliberais.Mousavi é um neoliberal,durante toda a campanha pregou propostas liberais de "defesa da propiedade privada e livre-mercado".Entregar o Irã a um neoliberal seria o total descrédito dos comunistas iranianos e em nada derrubaria a teocracia.A esquerda em todo mundo sabe disso,tanto que Chávez torceu por Ahmadinejad e Lula e o C.N.A africano o preferiram embora não entusiasmados.
6)Alega-se que Ahmadinejad venceu na região de Tabriz com 57%,porém é a terra natal de Mousavi aonde sempre teve larga vantagem eleitoral.
-Mousavi ter ampla votação em sua terra natal é compreensível,mais aonde isso demonstra rejeição a Ahmadinejad?Quem garante que entre Mousavi e Ahmadinejad,não preferiram o segundo desta vez?A verdade é que o capital político de Mousavi em sua terra natal já estava arranhado,lá é o centro dos escandalos de corrupção que envolvem seus aliados.E também é uma região petrolífera que recebeu muitos investimentos da estatal do setor,esta gerida por Ahmadinejad como presidente oque com certeza lhe rendeu mais votos de que o de costume na região.Até mesmo pela força regional de Mousavi,todos os descontentes com sua figura na província manifestaram votando em Ahmadinejad.Mousavi já foi eleito ou tentou em tempos recentes a um cargo regional em Tabriz?Alguma pesquisa recente aferiu sua popularidade local?Na última eleição,os habitantes de Tabriz teriam votado pesadamente em Ahmadinejad contra seu concidadão, Mir Hossein Mousavi.
7)Em 1997, 70% da população votou no reformista Mohammad Khatami. Em 2000, os reformistas venceram as eleições parlamentares também por larga margem. Em 2001, Khatami recebeu 78% dos votos em sua reeleição. Em todas as eleições passadas os indícios são de que os conservadores tinham algo entre 20 e 25% dos votos no país. Há uma única exceção: o pleito que levou ao poder Mahmoud Ahmadinejad, em 2005.
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Houve um contexto para aquela eleição. Os reformistas não conseguiram tocar nenhuma das reformas que a população queria, trazendo mais liberdades para os dois mais importantes grupos demográficos no Irã: jovens e mulheres. Havia desilusão. Houve boicote, um dos mais baixos índices de comparecimento às urnas. Ainda assim, Ahmadinejad só venceu apenas no segundo turno, numa disputa dura com Akbar Rasfanjani.
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A história eleitoral do Irã em nada aponta para uma vitória acachapante de Ahmadinejad.


-A própia pesquisa diz que a exceção foi justo a última eleição que levou Ahmadinejad ao poder,então foi o fim de um ciclo e não sua continuação.Tal pesquisa esquece que quando o Irã elegeu pela primeira vez Ahmadinejad,os reformistas estavam altamente desgastados pelos anos que adotaram "políticas liberais"que aumentaram a pobreza no Irã,por que diminuiram os gastos públicos e os serviços essenciais.Depois disso o estranho seria é se recuperassem sua votação de antes.Ahmadinejad fez crescer o voto nos conservadores agregando as classes populares com a expansão de políticas sociais mantidas com o dinheiro do petroléo.Os reformistas ficaram restritos a classe média dos centros urbanos.


É oque eu acho,posso estar errado,oque duvido muito,mais sei reconhecer meus erros,mais só quem acreditou que Ahmadinejad poderia perder essas eleições foi a mídia e algumas "lideranças ocidentais".Só eles.

Oque me tira do sério não é estarmos contra Ahmadinejad e sim em parte da esquerda demonstrar apoio a Mousavi.

Brizola não é Garotinho

Muitos amigos e membros da esquerda abominam a figura de Leonel Brizola.Eu mesmo tendo muitos pontos divergentes a figura de Brizola,ao trabalhismo,aos CIEP´s e tudo mais.As tensões entre PT e PDT,socialismo e trabalhismo,só almentam mais ainda a confusão e levam-se aos extremos.Brizola sempre foi polêmico,chamar Lula de "sapo barbudo",não é bem um convite a tolerância...mais é por isso mesmo que o admiro.Por dizer oque precisa ser dito,oque pensa,mesmo que eu não concorde com oque ele diz,isso é algo que admiro.Brizola sempre foi um provocador,adorava uma boa polêmica.Sua fala firme e sua pose implacável,o associou muitas vezes a um estilo polêmico de fazer política que uns chamam de "populismo",outros de "demagogia".Alguns chegaram a vê-lo como um puro fascista.É essa figura que vive na mente daqueles que a ele se opõe.
Ainda não estou certo do quanto de socialismo e oportunismo há no trabalhismo,uma reflexão recorrente a quase toda ideologia que se diz de "esquerda".Mais uma ideologia que prega um estado de bem-estar social,distribuição de renda,garantias de emprego e defesa ao patrimônio nacional se não é socialista,tem grandes convergências.
Daí a compatibilidade de unir socialistas e trabalhistas contra os "partidos tradicionais","de centro" e de direita que tanto mal fazem ao país.Hoje PT e PDT estão unidos no governo Lula...mais não por que socialistas e trabalhistas gostem...
Justamente aqueles que mais se dizem "defensores"do legado de seus partidos(PT ou PDT)são os que mais abominam a aliança que acusam de "fisiologismo"-ou seja,o PDT só quer cargos.Afirmam que se Brizola estivesse vivo tal aliança jamais ocorerria!
Eu não vou especular sobre as decisões de alguém que não está aqui para demonstrar seu ponto de vista.
Mais entre os "baluartes"da esquerda o ministro Lupi,não passa de um oportunista e que jamais o "PDT legítimo"ou o "PT legítimo"se apoiariam mutuamente.
Na Nova República houve uma verdadeira "guerra"entre PT e PDT pelos votos de esquerda e tal até hoje deixou sequelas e cicatrizes profundas dos dois lados.
Em geral para os partidos de esquerda menores "nem PT ,nem PDT prestam".A exceção é o PCdoB,com qual o PT tem sólida aliança e afinidades.
O irônico é que para denegrir o "outro lado",petistas e trabalhistas usam os mesmíssimos argumentos,que são os mesmos que se hororizam quando são usados contra eles pela direita.O "outro"é "populista",ou "demagogo",e só visa "entorpecer o povo"e ganhar as próximas eleições.
E ainda sem se dar conta adotam o conceito de "modernidade",tema ilusório,inventado e incentivado pela direita.O "outro",representa "práticas atrasadas de fazer política",são "clientelistas".Ou seja,representam valores ultrapassados enquanto eles são "a esquerda atual(moderna)e autenticamente sintonizada com a sociedade,que representa o Brasil de hoje,enfim o verdadeiro espírito do povo brasileiro".
E baseados nisso brigam entre si e abrem espaço para a direita e "o centro"ganharem as eleições.
Nem começo a comentar a visão de PT e PDT sobre a maioria dos partidos menores de esquerda..."estes estão sempre equivocados".
Vamos crer que então o PT é um partido oportunista e o PDT um bando de fascistas travestidos de esquerda.Esqueçamos suas lutas,história e biografia...
Ué?Mais seus ideais não tem vários pontos em comum?Não disputam as eleições contra o campo mais conservador da sociedade?
Ora,PT e PDT tem a obrigação de pôr suas diferenças de lado e honrar seus ideais para avançar o projeto de esquerda!Do que adianta brigar e todos perderem?
Os partidos menores de esquerda tem obrigação sim de dar respaldo a essa união e apoio para que siga-antes "demagogos"que alimentam o povo dos que os que o matam de fome.
Depois discutam as diferenças entre trabalhismo,socialismo e marxismo e a sinceridade de seus partidários.
Depois discutam se preferem Prestes ou Vargas.
As noções de populismo e demagogia são sempre reais para acusar os outros,mais quando é com eles tal noção não existe e é "invencionisse".Deixem disso!Populismo é a nova versão da direita denegrir jocosamente qualquer político que tome medidas a favor do povo carente!!!
A direita não queria saber se Vargas era ou não fascista para taxa-lo de "populista",assim como não querem saber se Lula é ou não corrupto para o taxarem do mesmo!
Deixemos esta concepção e suas variantes fraudulentas!
No fim toda a balela entre PT e PDT se resume a um crer que o outro é falso em suas intenções.
A esquerda carioca tem em mente um Brizola que é como Antony Garotinho.Eu tenho pouca idade,não senti na pele e não vivi todos os atos do personagem histórico que foi Leonel Brizola,mais é óbvio que ele não foi um Garotinho!Com tudo oque possa ter feito de errado,Brizola tem uma obra histórica para mostrar e quando governou fez atos de grande relevância.Arregaçou as mãos e não viveu só de politicagem.Se usou o Rio como plataforma política e depois dele todos seguiram o mal exemplo,Brizola dirigiu o estado aplicando seu ideário trabalhista e não apenas fazendo retórica.Garotinho também fez alguma coisa,seu erro principal é se "apropiar de feitos alheios"e mudar para onde ruma o vento.Brizola tem história,ideário e obra,concordemos com ele ou não.
Quais os ideais de Antony Garotinho?
Não enxerguemos Brizola pela sombra de alguns de seus "pupilos"tenebrosos que marcaram a vida do Rio como Marcello Alencar,César Maia e o própio Garotinho,entre tantos outros.
Eles estiveram longe...muito longe do que foi Brizola.
Não há sentido em caminharmos em lados opostos e com nossa divisão enfraquecermos todas as lutas dos movimentos populares!
Nos unamos contra o inimigo comum ao qual estamos de acordo-representa o pior da vida política brasileira.
Depois nós vemos quem representa oque,depois que o ambiente político já estiver bem mais iluminado sem as trevas das políticas neoliberais e criminalizadoras da pobreza.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A democracia se faz nas ruas e nos gabinetes

LULA PARA O POVO:"...vocês tem que cobrar.Se vocês não cobrarem a gente não pode fazer nada."

É óbvio que uma verdadeira democracia não se faz só com direito universal ao voto,a eleger os governantes.E sim pelo grau de representatividade,o quanto as pessoas comuns podem ser atores principais e não secundários dos processos políticos em curso.Dar a população meios de cada vez mais pautar as políticas públicas e as leis.
Neste campo plesbicitos,ouvidorias,conselhos são muito bem-vindos e são um primeiro passo.
Mais o principal é ter um canal aberto entre o eleito e o eleitor.Entre o político e a população.
Hoje os sites e ouvidorias em que se pode opinar aos governantes já estão amplamente difundidos,lá também se apresentam o trabalho que está sendo desenvolvido por quem você deu seu voto.
Um Presidente,um Governador,um Prefeito de uma grande cidade com certeza tem inúmeras impossibilidades de comunicação direta com a população total e aqueles que o elegeram.
Nesse caso o importante é deixarem abertos todos os canais possíveis de comunicação com as pessoas.
E claro,estar pronto para ouvir críticas e exigências.
Como diz o Presidente Lula acima:"...vocês tem que cobrar.Se vocês não cobrarem a gente não pode fazer nada."
A cobrança é benéfica e não só para lembrar ao governante de suas obrigações,ela também serve para darmos a esse governante o apoio para fazer aquilo que precisa e que prometeu,mais que é difícil pois "pressões poderosas"se levantam contra.Contra a manipulação da mídia,o poder do suborno e do dinheiro,um governante só pode contar com o povo nas ruas se manifestando e dando força a luta que será travada.
A maioria das pessoas é muito individualista ou comodista para estar lá,então o governante só pode contar mesmo com aqueles que tem coragem de levantar a voz e se fazer ouvir.
A maioria se deixará levar pelo oque diz a mídia,fulano e beltrano pra justificar seu desinteresse.
Os grupos contrários sabem muito bem distorcer palavras e ações e convencer a maioria a se submeter a seus interesses.
Por isso todo governante tem duas falas-a oficial(para a imprensa)e a militante(para aqueles que o apóiam).A mídia vive de mentiras,por isso deixemos ela ouvir apenas oque quer,que ela mesma caia no própio engodo.
Para o povo nas ruas é claro quando oque o governante diz é "pra esfriar os ânimos"e oque é pra convocar o povo a dar respaldo as mudanças que precisa,mais que está sendo acuado para não fazer.
Quando um governo tem essa sintonia e essa intimidade com a população e os movimentos populares,ele começa a faze-los atores e não espectadores do processo político.
Por isso uma democracia se faz nas ruas e nos gabinetes e sem essa sintonia nada se muda do dia pra noite.
Os governantes tem limitações,o povo nas ruas pode dizer oque quiser.
E o governante realmente empenhado com a democracia legítima sempre procurará ouvir o povo que protesta e exige,mesmo quando discorda.
O governante sempre que possível deve ouvir e responder as manifestações de massa e ao cidadão comum.
Quantos deputados e vereadores não abrem seus gabinetes para qualquer um que deseje lhes falar?
É um compromisso básico com a democracia.
Porém no Brasil quando um político abre canais com o povo,quando os ouve em suas manifestações é taxado de "populista"."O Lula ouviu os profissionais em greve?Só pode ter sido pra aparecer!
Oque esse vereador vem falar aqui falar no protesto?,devia é estar trabalhando!
Mais esse Brizola não toma jeito,eim!Sempre cercado pelo povão!"
São essas insinuações que descreditam aqueles que querem que o povo tome seu destino as mãos.A obrigação do político é mesmo estar com o povo e não trancafiado no gabinete!
Quem visa desacreditar tais gestos são justamente aqueles que querem o povo como mero espectador e não como ator no processo político.